segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Reforma Ortográfica por Cynthia Feitosa

Eis aqui um programa de cinco anos para resolver o problema da falta de autoconfiança do brasileiro na sua capacidade gramatical e ortográfica (além dos ignorantes, também vai servir pra aqueles que escrevem aquela língua horrível da internet...).

Em vez de melhorar o ensino, vamos facilitar as coisas, afinal, o português é difícil demais mesmo. Para não assustar os poucos que sabem escrever, nem deixar mais confusos os que ainda tentam acertar, faremos tudo de forma gradual.

No primeiro ano, o "Ç" vai substituir o "S" e o "C" sibilantes, e o "Z" o "S" suave. Peçoas que açeçam a internet com freqüênçia vão adorar, prinçipalmente os adoleçentes. O "C" duro e o "QU" em que o "U" não é pronunçiado çerão trokados pelo "K", já ke o çom é ekivalente. Iço deve akabar kom a konfuzão, e os teklados de komputador terão uma tekla a menos, olha çó ke koiza prátika e ekonômika.

Haverá um aumento do entuziasmo por parte do públiko no çegundo ano, kuando o problemátiko "H" mudo e todos os acentos, inkluzive o til, seraum eliminados. O "CH" çera çimplifikado para "X" e o "LH" pra "LI" ke da no mesmo e e mais façil. Iço fara kom ke palavras como "onra" fikem 20% mais kurtas e akabara kom o problema de çaber komo çe eskreve xuxu, xa e xatiçe. Da mesma forma, o "G" ço çera uzado kuando o çom for komo em "gordo", e çem o "U" porke naum çera preçizo, ja ke kuando o çom for igual ao de "G" em "tigela", uza-çe o "J" pra façilitar ainda mais a vida da jente.

No terçeiro ano, a açeitaçaum publika da nova ortografia devera atinjir o estajio em ke mudanças mais komplikadas serão poçiveis.O governo vai enkorajar a remoçaum de letras dobradas que alem de desneçeçarias çempre foraum um problema terivel para as peçoas, que akabam fikando kom teror de soletrar. Alem diço, todos konkordaum ke os çinais de pontuaçaum komo virgulas doispontos aspas e traveçaum tambem çaum difíçeis de uzar e preçizam kair e olia falando çerio já vaum tarde.

No kuarto ano todas as peçoas já çeraum reçeptivas a koizas komo a eliminaçaum do plural nos adjetivo e nos substantivo e a unificaçaum do U nas palavra toda ke termina kom L como fuziu xakau ou kriminau ja ke afinau a jente fala tudo iguau e açim fika mais faciu. Os karioka talvez naum gostem de akabar com os plurau porke eles gosta de eskrever xxx nos finau das palavra mas vaum akabar entendendo. Os paulista vaum adorar. Os goiano vaum kerer aproveitar pra akabar com o D nos jerundio mas ai tambem ja e eskuliambaçaum.

No kinto ano akaba a ipokrizia de çe kolokar R no finau dakelas palavra no infinitivo ja ke ningem fala mesmo e tambem U ou I no meio das palavra ke ningem pronunçia komo por exemplo roba toca e enjenhero e de uzar O ou E em palavra ke todo mundo pronunçia como U ou I, i ai im vez di çi iskreve pur ezemplu kem ker falar kom ele vamu iskreve kem ke fala kum eli ki e muito milio çertu ? os çinau di interogaçaum i di isklamaçaum kontinuam pra jente çabe kuandu algem ta fazendu uma pergunta ou ta isclamandu ou gritandu kom a jenti e o pontu pra jenti sabe kuandu a fraze akabo. Naum vai te mais problema ningem vai te mais eça barera pra çua açençaum çoçiau e çegurança pçikolojika todu mundu vai iskreve sempri çertu i çi intende muitu melio i di forma mais façiu e finaumenti todu mundu no Braziu vai çabe iskreve direitu, ate us jornalista, us publiçitario, us adivogado, ate us pulitiko i u prezidenti! Olia ço ki maravilia.

A autora é Cynthia Feitosa e foi publicado originalmente no blog CynCity. Este post foi publicado originalmente em 05/12/05.

sábado, 13 de agosto de 2011

Exemplo que poderia ser copiado

Hoje, sábado dia 13, estava assistindo a um jornal televisivo quando me deparei com uma matéria falando sobre a cobrança que algumas torcidas organizadas vêm protagonizando para cobrar o bom desempenho de alguns jogadores em campo. E que o bom desempenho de Ronaldinho Gaúcho no jogo contra o Santos se deve a isso. Alguns torcedores fanáticos acabaram aderindo à vigília desses jogadores. Claro, sob alguns protestos embasados em lei. Mas que parece que tem dado certo. E como tudo na vida isso deve ser mediado com bom senso e sem violência.
Só que tal atitude me fez refletir.
E se começássemos um movimento semelhante?
Criaríamos uma torcida organizada a favor do cidadão. Mas em vez de acompanhar jogadores de futebol acompanhássemos nossos políticos e suas andanças, gastanças, façanhas e, sobretudo: suas participações realmente políticas.
E além de acompanhá-los também cobrássemos posições e posturas. E atitudes!
Acho que o resultado disso seria igualmente positivo.

Quem começa o jogo?

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Que se exploda. Que se expluda.




Verbos defectivos são aqueles que não apresentam todas as suas formas conjugadas.
Creio que todo cristão já tenha se deparado com algum em sua vida.
"Eu descoloro os pelinhos da perna".
Que deve ser alterado para algo como: "Eu uso descolorante nos pelinhos da perna".

Sabemos que a televisão é mister em divulgar bordões, e até termos errôneos que se perpetuam por toda a sociedade, fazendo de nós todos presas fáceis.

Um exemplo disso é o bordão "QUE SE EXPLODA" usado pelo personagem Justo Veríssimo de Chico Anysio.
Surgiu daí o "eu explodo".
Seguiram os mesmos rastros os verbos: eclodir, implodir e erodir.

Os dicionários não são unânimes quanto a torná-los ou não verbos regulares.

Os gramáticos mais modernosos preveem a regularização dos verbos.

Então se você sentir a necessidade de dizer:
- Eu explodo!
Pode dizer em alto e bom som, pois estará embasado em teorias gramaticais mais modernas.

Aguardo o dia em que "eu descoloro" poderá ser pensado e dito sem medo.


Falando em modernidades da língua, o dicionário VOLP de 2009 já registra duas formas de uma mesma palavra graças ao uso despreocupado, tanto da forma correta quanto da forma coloquial.

TERRAPLENAGEM X TERRAPLANAGEM.

A palavra original é terraplenagem, mas devido ao constante uso de sua variação esta foi incluída ao nosso vocabulário padrão.


Um brinde!


Adaptado de
Revista Língua nº 69
e http://www.brasilescola.com/gramatica/a-consagracao-forma-exploda.htm

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A educação no Brasil serve pra que?

Mas a educação aqui no Brasil pra que serve?
Porque o que é incontestável é que o curso primário não desalfabetiza, o secundário não humaniza, e o superior nem faz profissionais, nem faz sábios, nem faz pesquisadores.

Oswald de Andrade

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Papos - Luís Fernando Veríssimo

- Me disseram...
- Disseram-me.
- Hein?
- O correto é "disseram-me". Não "me disseram".
- Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é "digo-te"?
- O quê?
- Digo-te que você...
- O "te" e o "você" não combinam.
- Lhe digo?
- Também não. O que você ia me dizer?
- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?
- Partir-te a cara.
- Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.
- É para o seu bem.
- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...
- O quê?
- O mato.
- Que mato?
- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?
- Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo e elitismo!
- Se você prefere falar errado...
- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?
- No caso... não sei.
- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
- Esquece.
- Não. Como "esquece"? Você prefere falar errado? E o certo é "esquece" ou "esqueça"? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.
- Depende.
- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.
- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.
- Por que?
- Porque, com todo este papo, esqueci-lo.

Fonte:VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p.65.
 
 
Questões: 
Esse texto de Luis Fernando Veríssimo trata, de forma humorística, da adequação ou não, por parte dos falantes, no uso da colocação pronominal. Qual parece ser a intenção do cronista ao tratar desse assunto?

Quando um dos interlocutores do texto afirma que é “disseram-me” e não “me disseram”, está fazendo referência a uma das regras da gramática normativa para a colocação pronominal.
De que regra trata a correção feita no texto?
Em uma conversa informal, como é o caso do texto transcrito, essa correção é adequada? Justifique sua resposta.

Quando um dos interlocutores afirma que “pronome no lugar certo é elitismo”, traz à tona uma interessante discussão sobre o uso da colocação pronominal segundo as regras da norma culta. Na sua opinião, que relação existe entre norma culta e elitismo?


Fonte Adaptada: ABAURRE, PONTARA, FADEL. Português – Língua, literatura, produção de texto. Vol 2, Ed. Moderna, p. 140.
 
 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Escrever (apenas) dentro das normas realmente é o mais importante?

A mais burra e menos criativa das gerações


Gilberto Dimenstein (2008a),  jornalista atento às questões que envolvem a educação brasileira, comenta o fato de o mercado de trabalho exigir candidatos com competências que extrapolem os conhecimentos básicos da área, ou seja, profissionais que saibam propor saídas e demonstrem criatividade na resolução dos problemas. Segundo informa, no ano de 2007, empresas como Microsoft, Natura e Unilever não preencheram as 2.500 vagas de estágio disputadas por  87.000 universitários ou recém-formados, motivadas principalmente pela dificuldade que apresentaram em expor criativamente uma ideia e não pelo fato de não saberem escrever corretamente um texto segundo as normas gramaticais do idioma. E, explicitando que na visão da psicóloga responsável pela aplicação dos testes em 2007 o maior responsável por essa inadequação seria a ação nociva da internet, cita o livro A mais burra das gerações: como a era digital está emburrecendo os jovens americanos e ameaçando nosso futuro, do norte-americano Mark Bauerlein, cuja tese central é a de que as tecnologias digitais permitem que os jovens passem ainda mais horas do dia trocando informações com seus pares, o que, consequentemente, diminui o tempo de intermediação com os adultos (# ou com pessoas que saibam mais e melhor) nos processos de aprendizagem.
Fonte: Educativa , Goiânia, v. 12, n. 2, p. 265-277, jul./dez. 2009.


# frase minha.

Fica então uma proposta de reflexão.